Câmara de Jaú discute, em parceria com Senado, políticas públicas para mulheres

por Letícia Almeida Borges publicado 29/06/2018 16h15, última modificação 29/06/2018 16h15
Oficina Interlegis propõe também troca de experiências

A Câmara Municipal de Jaú (SP) foi palco, nesta sexta-feira, 29/06, da “Oficina Interlegis Senado Mulheres na Casas Legislativas”, evento dedicado a discutir questões ligadas à saúde, ascensão profissional e políticas públicas para as mulheres, na primeira vez que a Escola Legislativa da Câmara recebe um evento do Senado Federal.

A vereadora Cléo Furquim, autora da proposta, disse que a senadora Marta Suplicy (MDB-SP), que intermediou a realização da Oficina, não pôde comparecer, mas era uma inspiração na luta das mulheres no município, inclusive para a construção do Hospital da Mulher. Ela registrou e agradeceu a presença de várias pessoas e entidades, além de elencar as conquistas femininas em Jaú. Segundo ela, o debate é mais uma etapa de busca de conhecimento e aprendizado e iria ajudar na elaboração de políticas públicas.

Rita Polli Rebello, Coordenadora da Procuradoria da Mulher do Senado, idealizadora do formato da Oficina, elogiou a experiência da Casa Rosa, um centro de referência de acolhimento da mulher de Jaú, criado pela vereadora Cléo, e apresentou a página do órgão na internet, com as informações que podem ser acessadas.

Num depoimento emocionado – e que emocionou os presentes – Telma Venturelli, representando o Instituto Legislativo Brasileiro (ILB, ao qual o Programa Interlegis está vinculado), tratou a questão da mulher falando da falta de respeito ao corpo de crianças e adultos vítimas de abuso e violência, mas de um ponto de vista quase pessoal. Para ela, professora há 28 anos, abordar temas como estes foram um momento muito desafiador.

 

Palestra e oficinas

 

Eleonora Viggiano, analista do Senado, apresentou pesquisas e estudos do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), que se apoia em análise de dados, sobretudo recolhidos em enquetes do DataSenado, para analisar a questão, desde o início dos anos 2000. A ideia é contribuir para o fim deste quadro, possibilitando a adoção de políticas públicas voltadas para o problema.

Segundo ela, as pesquisas têm se dedicado mais à violência doméstica e mostram, por exemplo, que aumentou a manifestação das mulheres (e não necessariamente o número de casos), mas também o número de pessoas que admitem não fazer nada a respeito, sobretudo por decepção com a atuação do Estado.

Eleonora Viggiano também apontou alguns caminhos, como a necessidade de se ter “portas de entrada mais qualificadas”, como pessoal mais preparado para atender as vítimas de violência nas delegacias, por exemplo. Outra necessidade é maior agilidade na concessão de medidas protetivas, que também devem ser monitoradas, para terem eficácia.

E, ainda, a integração dos órgãos que tratam da questão. Por isso, Eleonora fez questão de debater com as autoridades e representantes de entidades presentes o modelo de atuação que a cidade de Jaú vem adotando. Para ela, conhecer a rede de atendimento local é uma importante troca de experiência – aspecto que também foi ressaltando por outras servidoras do Senado que se manifestaram.

A parte da tarde foi dedicada a duas oficinas simultâneas, com duração de cerca de duas horas cada uma. A primeira, sobre saúde da mulher, com Rita Polli Rebello. E a segunda, “Desafios para a ascensão profissional das mulheres”, com Ramilla Moura, da Procuradoria da Mulher, e Maria Cristina Monteiro, diretora de Relações Públicas do Senado. Cerca de quarenta pessoas participaram destas atividades.

 

 

 

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