“Congresso do Futuro” debate ações e desafios em diversas áreas do conhecimento

por Letícia Almeida Borges publicado 08/12/2016 18h07, última modificação 08/12/2016 18h07
Evento reúne no Senado, durante dois dias, cientistas, professores, executivos e comunicadores

“Congresso do Futuro” debate ações e desafios em diversas áreas do conhecimento

Evento reúne, em dois dias, cientistas, professores, executivos e comunicadores

 

O Senado está reunindo, durante dois dias, representantes dos mais diversos setores para discutir “Democracia, Comunicação e Progresso no mundo digital e sustentável”. Este foi o tema escolhido para o Congresso do Futuro, evento que pretende, segundo o senador Wellington Fagundes (PR-MT), presidente da Comissão Senado do Futuro, ajudar a restabelecer no Brasil “a cultura do planejamento e da gestão responsável”, até como forma de prevenção de crises.

Fagundes abriu, na manhã desta quinta-feira, 08/12, o encontro que está reunindo cientistas do Brasil e do exterior, representantes da iniciativa privada e da academia, comunicadores e outros especialistas para debater os desafios que o Brasil e o planeta enfrentam em áreas como o meio ambiente, a educação, a migração, a inovação, a segurança alimentar e a própria democracia. No plenário do Senado, o ministro Gilberto Kassab, ministro da Ciência e Tecnologia e Comunicações, além de afirmar o apoio do governo ao debate, lembrou que ali era o local para boa parte das discussões, já que “a legislação precisa ser aperfeiçoada para que o Brasil se integre no mundo da inovação e da tecnologia”.

Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que é parceira do evento, lembrou a velocidade das mudanças no mundo atual e destacou dois conceitos importantes: preservar e flexibilizar, até para se pensar nos empregos do futuro, que ainda não se sabe quais serão. Daí, também, salientou, a importância da educação.

Para o senador Cristovam Buarque, vice-presidente da Comissão Senado do Futuro e um dos idealizadores do Congresso, ideia que trouxe do Chile, mesmo que estejamos “naufragando no presente, precisamos pensar no futuro”. E o futuro, prosseguiu, tem que ser construído, inclusive analisando os chamados “erros do sucesso” recente. E pensar nas escolhas, como, por exemplo: reduzir a jornada de trabalho, o consumo? Como conciliar liberdade e privacidade?

 

Sustentabilidade e a Agenda 2030

 

Depois da abertura oficial, as palestras tiveram lugar no Auditório Petrônio Portella, com o tema do desenvolvimento sustentável na América Latina. Por vídeo, Carlos Moeda, representante especial da União Europeia, enviou uma saudação e disse que conta com a liderança brasileira no objetivo geral de criação de um mundo global com circulação livre e encerrou com uma frase que foi várias vezes repetida pela manhã: “A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo”.

Cientista com extenso currículo e grande dedicação à Amazônia, o climatologista Carlos Nobre falou sobre uma terceira via de desenvolvimento para a região, depois de discorrer sobre a sua importância, dos riscos que a floresta corre e da necessidade de interromper o desmatamento. Segundo Nobre, as políticas de contenção do desmatamento foram bem-sucedidas e hoje 54% da Amazônia são áreas protegidas.

No entanto, na controvérsia entre a agenda conservacionista e expansionista, ele vê um terceiro caminho, um novo modelo de desenvolvimento, com uso de novas tecnologias (biológicas, digitais, nanotecnologia e ciência dos materiais). Somente a indústria do açaí, segundo ele, gera recursos da ordem de R$ 2 bilhões anualmente. E, como a Amazônia tem 10% da biodiversidade mundial, é possível aproveitar muito mais. “É fazer a bioindústria na Amazônia, e não apenas com os produtos que existem lá”, disse ele.

Rômulo Paes de Souza, médico, com passagens pelo governo e hoje no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) deu a visão sobre os desafios para a implementação da Agenda 2030 na América Latina – que tem 17 objetivos, 169 metas de mais de 200 indicadores. Ele exortou o Legislativo, em todos as esferas, a entrar neste debate, para a criação de políticas públicas mais eficientes e revisão de modelos legais.

Como o primeiro representante da iniciativa privada do dia, Marcelo Behar, jornalista e advogado, falou da história e da experiência da Natura, conhecida empresa de cosméticos, e do seu compromisso com o meio ambiente. Segundo ele, a Natura vem mudando seu modelo de negócios e já estabeleceu metas até 2050. Ele citou também os investimentos feitos na Amazônia (que devem chegar a R$ 1 bilhão em 2020) e contou como a Natura mudou o cenário local no caso da ucuuba, uma árvore que era derrubada para fazer cabo de vassoura e hoje é preservada e seu fruto usado em cosméticos.

 

Outras visões

 

Álvaro Salas é fundador do “Think Tank” Democracy Lab, pesquisador do Banco Interamericano de Desenvolvimento e conselheiro de governos na América Central, discorreu sobre a necessidade de interação entre governos, organizações e a iniciativa privada. Deu vários exemplos de como isso se dá através das novas plataformas e aplicativos e como a sociedade pode influir junto a ações de governo.

Já Alfredo Pena-Veja, pesquisador do Centro Edgar Morin e do Instituto Interdisciplinar de Antropologia Contemporânea da França, procurou fazer uma abordagem diferente sobre a questão da sustentabilidade, trazendo quase que um apelo para que “o despertar de consciências por um planeta vivo, os desafios de um modo diferente de desenvolvimento sustentável”. Segundo ele, o momento é de “multi-crise” e para tratar com ele são necessários novos conceitos, inter-relacionar as crises (social, ética, ambiental, econômica, na saúde) e enfrentar os desafios. Entre eles, “humanizar a globalização” e integrar os processos de decisão globais. Na sua opinião, o caminho passa por uma nova educação e pela conscientização dos jovens.

Outro representante da iniciativa privada foi o presidente e CEO da GE, Osvaldo Peralta. Ele começou defendendo também que o único caminho para enfrentar o desafio do futuro é a educação. Em seguida, falou da empresa e de sua relação com o Brasil (o terceiro mercado, atrás apenas dos Estados Unidos e da China), país no qual está há 96 anos. Lembrou as áreas de atuação, os investimentos feitos no Brasil, inclusive em pesquisas, até mesmo com a criação de um centro, para o qual foram repatriados 68 cientistas brasileiros que moravam fora. Depois falou das inovações que a GE implantou, como a lâmpada de led, entre muitas outras, que representam economia, energia mais limpa e de como está ajudando a cumprir os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030.  Sustentabilidade, segundo a sua visão, é progresso, mais bem estar das pessoas e respeito aos limites do planeta.

 

Outras informações, com os painéis da parte da tarde, logo mais.

 

 

 

 

 

 

 

 

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