Arca das Letras doa livros para Moçambique

por monicaco — publicado 14/10/2008 10h50, última modificação 14/10/2008 10h53
O Ministério do Desenvolvimento Agrário acaba de doar sete acervos do projeto Arca das Letras para as escolas rurais de Moçambique e também da capital, Maputo

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) acaba de doar sete acervos Arca das Letras para Escolas Familiares Rurais (EFR) de Moçambique e uma biblioteca rural completa do Programa para o Centro de Estudos Brasileiros em Maputo, capital do país africano. A ação foi realizada em parceria com a Embaixada do Brasil no local, a Coordenação de EFR no país e a União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil. O transporte das doações foi viabilizado pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Força Aérea Brasileira.

Esta iniciativa do MDA pretende contribuir para a formação das bibliotecas das EFR moçambicanas e ampliar o acesso a informações relativas ao desenvolvimento rural sustentável e à literatura brasileira, a exemplo do que é feito no Brasil com a doação de livros às Escolas Famílias Agrícolas e às Casas Familiares Rurais dos Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs).

Além de títulos especializados em educação no campo, agroecologia e demais temas agrícolas, a remessa contém cartilhas sobre drogas, títulos de autores portugueses e também brasileiros, como Manuel Bandeira, Jorge Amado, Vinícius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Maria Adelaide Amaral, Cecília Meirelles, Monteiro Lobato e Gilberto Freire. A doação contém também livros de pesquisa escolar, sobre saúde, meio ambiente e também exemplares sobre arte e cultura brasileiras. Foi enviado também um roteiro que orienta a  organização da biblioteca.

As EFRs de Moçambique estão atuando na formação de 412 jovens como agentes rurais com habilitação em assuntos relativos à agropecuária, utilizando o método da pedagogia da alternância, em que os estudantes ficam na escola durante alguns dias depois aplicam os conhecimentos técnicos nas suas comunidades.

Esta não é a primeira vez que o Arca das letras chega em outros países como forma de cooperação solidária. Em 2005, três bibliotecas foram instaladas em Díli, capital do Timor-Leste, e uma em Cuba, na Biblioteca Pública Ruben Martinez Villena, no bairro Habana Vieja, em Havana.

Sobre o Arca das Letras

No Brasil, o programa Arca das Letras, criado pelo MDA em 2003, já implantou 5.668 bibliotecas rurais em mais de 1.700 municípios brasileiros. Até agora, mais de 1,2 milhão de livros foram distribuídos, beneficiando mais de 625 mil famílias do campo. A administração das bibliotecas é feita por mais de 11 mil agentes de leitura, que contribuem para melhorar os índices educacionais de suas comunidades, além de apoiar o trabalho e valorizar a cultura no meio rural.

Os acervos são formados por livros didáticos, literatura para crianças, jovens e adultos e livros técnicos e especializados nas áreas de saúde, meio ambiente, educação, técnicas agrícolas e de pesca. Também contam com publicações que orientam o exercício da cidadania, como os Estatutos da Criança e do Adolescente, do Idoso, da Igualdade Racial, do Torcedor, a Lei Maria da Penha e a Constituição do Brasil.

Instalada na casa de um morador, ou na sede de uma associação rural, cada biblioteca é formada, inicialmente, por cerca de 200 livros. As comunidades escolhem os assuntos que formam os acervos, o local onde a biblioteca é instalada e indicam os moradores que serão capacitados como agentes de leitura. Os agentes são moradores das comunidades beneficiadas que se responsabilizam pelo empréstimo dos livros e pelo incentivo à leitura. O trabalho é voluntário e a escolha é feita em reuniões de consulta popular e de planejamento das bibliotecas.

O Programa conta com parceiros como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação (FNDE/MEC), o Banco do Brasil/Projeto BB Fome Zero, o Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça, o Ministério da Cultura, o Banco do Nordeste e outros órgãos públicos federais, estaduais e municipais. Também participam os movimentos sociais e sindicais, editoras, artistas e a população urbana, que contribui com a doação de livros.


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