Publicação aponta atrasos na assistência à primeira infância

por leiliane — publicado 28/03/2008 12h26, última modificação 28/03/2008 12h26


04/03/2008 Agência Oficina de Imagens

A Organização das Nações Unidas para a Educação (UNESCO) lançou recentemente a publicação Bases sólidas: educação e cuidados na primeira infância, relatório de monitoramento do Programa Educação Para Todos, que estabelece seis objetivos globais de incentivo à educação a serem cumpridos até 2015. O livro, que tem foco nas duas primeiras metas, chama a atenção para a baixa assistência dada à melhoria da alfabetização e a programas para crianças antes da escola primária.

De acordo com o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a taxa de matriculados na pré-escola da rede pública ainda é muito baixa para que se atinja a meta estabelecida pelo similar nacional ao Educação Para Todos, o Plano Nacional de Educação (PNE), de 80% das crianças freqüentando esse nível de ensino até 2011. Daniel lembra que, para se chegar ao percentual definido, 60% das crianças já deveriam estar na pré-escola. Entretanto, o índice atual é de apenas 22%.

O mesmo acontece com as creches: atualmente 13% das crianças são atendidas por esse equipamento, número muito aquém dos 50% previstos para 2011. "O desafio é entender a creche como um espaço educacional e não só assistencial", pondera Daniel.

Para reverter o quadro, o coordenador geral da Campanha explica que seria necessário aumentar o investimento no ProInfância para pelo menos R$ 1 bilhão. Ainda assim, não seria possível atingir os patamares mínimos do PNE, de 30% de matrículas em creches e 60% em pré-escolas.

Formação - O relatório de monitoramento do Educação Para Todos traz ainda outros dados alarmantes a respeito dos países em desenvolvimento. Segundo a publicação, os profissionais que atuam na educação primária nessas regiões normalmente possuem nível de instrução precário e pouca capacitação prévia, além de receber relativamente mal.

O presidente do Movimento de Luta Pró-Creches, Paulo Fernandes, conta que o salário do profissional que trabalha em creche, que precisa ter no mínimo o magistério, é de R$ 430. "É humilhante receber isso para trabalhar oito horas por dia", lamenta. Para Paulo, não há possibilidade de acesso a creches para todas as crianças brasileiras até 2015. Ele cita o exemplo da capital mineira, que ainda possui uma demanda de mais de 20 mil crianças sem creches.

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