Semana Mundial da Alimentação

por brendaortiz — publicado 16/10/2007 13h20, última modificação 16/10/2007 13h21
Desta segunda (15) até a próxima sexta-feira (19), várias cidades brasileiras serão palco de palestras, encontros, seminários e homenagens

Nesta terça-feira (16/10), 190 países se voltarão para um tema que interessa a todo o planeta: o combate à fome e o acesso a uma alimentação adequada. Se em outras nações comemora-se o Dia Mundial da Alimentação, no Brasil a data ganhou tanta importância que foi transformada em semana. Desta segunda (15) até a próxima sexta-feira (19), várias cidades brasileiras serão palco de palestras, encontros, seminários e homenagens. (Confira a programação completa no endereço www.fomezero.gov.br).

O tema escolhido para a edição deste ano foi O Direito à Alimentação. “O Brasil tem sido um defensor, desde o primeiro momento, e um promotor internacional do tema. Baseamos a nossa legislação e os nossos programas no conceito do direito à alimentação”, observou o coordenador de Ações Gerais do Combate à Fome do Ministério das Relações Exteriores, Milton Rondó.

De acordo com o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Jacques Diouf, o assunto reflete a crescente tomada de consciência internacional do papel determinante que os direitos humanos desempenham na erradicação da fome e da pobreza. Mas, ele emenda que ainda há muito a ser feito: o primeiro passo é não aliar o acesso à alimentação a ações de caridade, mas a um direito. “Assegurar que todos os seres humanos disponham de um suprimento de alimentos adequado e estável é mais que uma obrigação moral e um investimento com retornos econômicos potencialmente altos: é a realização de um direito humano fundamental, e o mundo tem os meios para torná-lo realidade”, frisou Diouf, na mensagem que escreveu sobre a Semana.

Assessor especial da Presidência da República e coordenador do projeto Talher Nacional, Selvino Heck, destaca que a importância da Semana se baseia em um tripé de ações: chamar atenção para a alimentação como direito básico; alertar para a necessidade urgente de uma distribuição justa de renda; e conscientizar a sociedade e as organizações públicas e privadas para que se cumpram os Objetivos do Milênio - entre eles, que ninguém passe fome e que haja uma distribuição eqüitativa de comida. “Cada vez mais a sociedade brasileira se conscientiza de que o direito humano à alimentação precisa ser discutido e assumido por todos. Assim, cresce o número de eventos diversificados que se espalham por todo o Brasil, o que é muito bom”, comemorou.

Embora haja avanços, o Brasil e o mundo ainda não venceram a fome e a miséria. Representante da FAO na América Latina, José Graziano da Silva afirma que ainda existe um longo caminho para que o acesso adequado à alimentação se torne uma realidade.

Segundo Graziano, para se cumprir o compromisso assumido na Cúpula Mundial de Alimentação, em 1996, de reduzir à fome a metade até 2015, seria preciso que 412 milhões de pessoas não tivessem acesso à comida. Porém, se mantido o ritmo atual de erradicação do problema, 582 milhões de pessoas continuarão a não ter este direito básico assegurado. “Estou convencido de que para combater a fome precisamos desenvolver ações de curto e longo prazo. Quem tem fome, tem pressa, já dizia o Betinho”, citou.

Selvino Heck destaca os três principais desafios ligados à questão. O primeiro deles é garantir comida a todos os brasileiros e brasileiras. O segundo é assegurar trabalho e renda, para que todos os cidadãos possam se sustentar e não depender de políticas governamentais. “E o terceiro, tão importante quanto, é saciar a sede de beleza, cidadania, direitos e participação democrática a todos”, refletiu.

E uma das apostas de todos os que lutam pelo acesso à comida é congregar esforços para obter melhores resultados. Na luta contra a fome, parceria é a palavra-chave. “Nenhum governo sozinho resolve todos os problemas, assim como a sociedade também não é capaz, sem a parceria do poder público, de garantir dignidade e justiça social”, defende Heck. “Se há pessoas que não conseguem satisfazer, sozinhas, as próprias necessidades, elas precisam ser ajudadas”, emenda Graziano.

Presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Consea, Chico Menezes reforça a importância de datas comemorativas, como a realização da Semana. “É um momento importante para que os governos reafirmem o compromisso com o combate à fome”salientou.

Em todo o mundo, o Dia Mundial da Alimentação é celebrado com vigílias, cerimônias culturais, acadêmicas e oficiais. (A lista completa com os eventos programados no Brasil está disponível na página www.fomezero.gov.br). Para este ano, o principal ato programado para a América Latina e países do Caribe será a entrega das Diretrizes Voluntárias para assegurar a realização progressiva do direito à alimentação ao presidente do Congresso Nacional de cada país. As diretrizes, criadas em 2004, reúnem um conjunto de recomendações para os governos e a sociedade civil, e servem como ponte entre o reconhecimento do direito e o acesso efetivo à alimentação adequada.

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