Bactéria “do bem” poderá substituir uso de fertilizantes industrializados na cultura da cana-de-açúcar

por monicaco — publicado 04/01/2007 15h44, última modificação 04/01/2007 16h17
Depois de cinco anos de pesquisas, cientistas brasileiros terminaram o seqüenciamento do código genético da bactéria Gluconacetobacter diazotrophicus, responsável pela fixação biológica de nitrogênio da cana-de-açúcar

Depois de cinco anos de pesquisas, cientistas brasileiros terminaram o seqüenciamento do código genético da bactéria Gluconacetobacter diazotrophicus, responsável pela fixação biológica de nitrogênio da cana-de-açúcar.

Com isso, a estimativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é reduzir em até 30% da quantidade de fertilizantes nitrogenados aplicados em toda área de cana-de-açúcar no país. A economia poderá chegar a R$ 59 milhões anuais para essa cultura, além de trazer benefícios ao meio ambiente.

A bactéria, conhecida pelos cientistas como “bactéria do bem”, está presente em culturas como a cana-de-açúcar, batata-doce, abacaxi e capim elefante. Ela é essencial para o crescimento das espécies vegetais, porque é uma das principais responsáveis pelo processo denominado “fixação biológica de nitrogênio”, em que o elemento é retirado da atmosfera e transferido para as plantas. A bactéria também produz hormônios vegetais e aumenta o sistema de raízes, ampliando a absorção de nutrientes do solo.

“Ao fixar onitrogênio atmosférico, você deixa de ter que aplicar parte do adubo nitrogenado que a planta necessitaria. A gente faz cálculos que mostram que essa bactéria poderia ter um ganho adicional de R$ 30 a R$ 50 milhões por ano com o uso dessa bactéria na cultura da cana-de-açúcar”, explica o pesquisador da Embrapa Agrobiologia, José Ivo Baldani.

Segundo ele, num prazo de cinco anos será possível desenvolver um produto para ser injetado nas plantações de cana-de-açúcar. O pesquisador também afirma que a tecnologia poderá ser expandida para outras culturas, como trigo, milho, sorgo, arroz, entre outras.

A redução do uso de fertilizantes industrializados, segundo Baldani, também irá favorecer o meio ambiente, já que o produto feito com a bactéria não sai da planta.

“Quando a gente fala na redução do uso de fertilizantes nitrogenados a gente está contribuindo também para um ambiente mais limpo, porque quando se aplica esse tipo de fertilizante (industrializado) parte dele não é absorvido pelas plantas e é desviado para os lençóis freáticos, contaminando rios e lagos”.

O projeto foi iniciado em 2001 e contou com a participação da Embrapa Agrobiologia e de universidades. Os recursos que apoiaram o projeto vieram da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), que disponibilizou R$ 3,4 milhões, e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que investiu R$ 1,4 milhão.


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